quinta-feira, 6 de março de 2008

FILOSOFIA EM CORDEL



FILOSOFIA EM CORDEL
(Aplicada à Educação Fundamental)

Por Rosa Regis
Natal/RN – 2005

Folheto 1

Nos disse o mestre dos mestres
do pensar, que foi Platão,
que as coisas só iam entrar
nos eixos neste mundão
quando este fosse mandado,
dirigido, governado,
por filósofos. E então?!...
...
Século VI antes de Cristo
na Grécia continental
as cidades-estado tinham
algo de especial
eram centros que cresciam
no setor comercial.

Os gregos desenvolviam
suas dramatizações
buscando mostrar ao povo
com precisas descrições
o que haviam assimilado
durante as Navegações.

O governo da carência
era, ora, idealizado.
Ao invés do “do acaso”.
E, com base, estruturado
para uma democracia
com que haviam sonhado.

Herdaram, pois, dos minóicos,
espírito navegador,
desbravando o oceano,
naquele tempo, o terror,
por ser um Ser mitológico,
do Grande Poder, Senhor.

A geometria egípcia
assimilaram mui bem,
como a observação
dos astros, e inda vem:
o calendário dos povos
da Ásia Menor também.

E na falta de alguém
pra responsabilizar
pelo começo de tudo
que se refere ao “pensar”,
Tales é o escolhido
pra do “saber” se falar.

Depois vem Anaximandro,
Pitágoras,... outros virão
com pensamentos diversos,
chegando-se a Platão,
onde se vê seu legado
fluir pra religião.

Vindo depois Aristóteles
que foi o mais influente
dos grandes filósofos gregos,
e o último, evidentemente!
Foi seguidor de Platão
porém não tão docemente.

Quanto aos outros pensadores,
de lá até hoje em dia,
também serão, ao seu tempo,
mencionados. E a via
serão, também, minhas rimas!
Que, espero, cause alegria.

TALES DE MILETO

Tales nasceu em Mileto.
Foi um grande pensador!
Sendo ele o primeiro Sábio
Do mundo. Um conhecedor.
Foi político, geômetra,
e astrônomo. Com louvor.

Século VI antes de Cristo
previu um eclipse solar
que ocorreu. E de mito
não queria ouvir falar!
Mas, do mundo das estrelas,
com quem vivia a sonhar.

Como outros gregos, ele,
o que fez de especial
foi separar a ciência
da magia e, afinal,
ousar pensar sobre o mundo
sem ter Deus como ideal.

E buscando a unidade
das coisas, ele pensou:
“Talvez, no começo, tudo
fosse água! E matutou
consigo mesmo: - Seria
possível? Se indagou.

ANAXIMANDRO

Falemos de Anaximandro,
que veio logo em seguida.
Este era da mesma linha
de Tales, pois que a vida,
pra ele, vinha da água
de uma forma definida:

Os homens vinham dos peixes.
E a Terra flutuava
no espaço sustentada
por algo, que ele afirmava
ser uma lei natural
que no Mundo atuava.

U’a substância primária
unida à lei natural
fazia, pois, que houvesse
um equilíbrio total
entre os elementos que
compunham o Mundo, e tal!

Foi ele, também, quem fez
o primeiro mapa a ser
útil aos desbravadores
que Mileto veio a ter
e que, como mercadores,
comerciaram a valer.

PITÁGORAS

Combinação curiosa
de místico e cientista,
de matemático, geômetra,
como verdadeiro artista
ele manuseia os números
como um hábil equilibrista.

E triste com Policrates,
um ditador, se mandou:
Saiu de Samos, sua terra,
e para o Egito rumou.
Logo depois para a Itália
onde uma escola fundou.

Uma escola baseada
em sua filosofia
matemático-metafísica
que pregava uma harmonia
cósmica que se baseava
nos números. E assim dizia:

A harmonia cósmica tem
base ou fundamentação
nos números que representam
das coisas em si relação.
Podendo-se dar, agora,
uma exemplificação:

Ao dividir-se uma corda
de lira, no comprimento,
descobriram os pitagóricos
que a mesma, a contento,
produz a oitava mais alta
que ao espírito trás alento.

E a noção de harmonia
a tudo o mais se estendeu
como sendo completude
tal qual Pitágoras creu:
Razões de números inteiros,
completos, como entendeu.

Geometria dos sólidos
perfeitos, ele explorou;
descobriu o teorema
que o seu nome herdou
e que até hoje, a muitos,
de terror, arrepiou.

Pitágoras foi o primeiro
que usou o raciocínio
sistemático-dedutivo
d’um axioma óbvio partindo
e, passo a passo, com lógica,
para um final prosseguindo.

E isso impulsionou,
duma forma colossal,
a ciência. Mas ocorre
que o óbvio, como tal,
atormenta até hoje
os filósofos. É real.

E ainda não contente
em demonstrar a importância
que os números representam,
Pitágoras, em outra instância,
afirma que: Nada é novo
e há vida em abundância.

A alma, coisa imortal,
em coisas vivas retorna
à vida, pois, ciclicamente,
ela renasce. E isso torna
a vida um ciclo eterno
que a vida em vida transforma.

E superavaliando
o poder numérico, crê:
O dodecaedro encarna
o Universo inteiro. E,
a harmonia das esferas
e o belo da música, vê.

HERÁCLITO
(Não se entra no mesmo
rio duas vezes)

Quinhentos anos a.C.
Heráclito já afirmava
que tudo estava em fluxo.
Mas também acreditava
em uma justiça cósmica
que o mundo equilibrava.

Era uma idéia complexa!
Na busca do elemento
primário, ele elege
o FOGO. E seu pensamento
afirma que há um fogo
central, sempre em movimento.
...
Houve um florescimento
muito além do normal
da cultura da Grécia clássica,
pois os gregos, em geral,
produziam... tinham idéias...
Era algo fenomenal!

Há grande amor pelo belo
porém sem extravagância.
As coisas da mente vêm,
sempre, em primeira instância
Não os deixando indolentes
e afastando-os da ganância.

Pode-se dar como exemplo
Péricles - grande estadista;
Eurípedes - tragediógrafo;
poetas e ceramistas
como: Safo, que era músico
e, também,pintor. Artista!

Escultores como Fídias!
Que foi um grande escultor.
E cito Safo, outra vez,
como historiador.
E Aristófanes, filósofo
e, da matemática, senhor.

Porém as recém-inventadas
democracias terão
sua base estruturada
em que?... na escravidão!
E só um sexto dos membros
eram ditos cidadãos.

Os escravos, os estrangeiros
e as crianças, enfim,
eram chamados de “bárbaros”.
E as mulheres... pois sim!...
não tinham qualquer direito!
Isso não é mesmo o fim?!

Não contavam para nada!
E isto distorceria
as tentativas que “o grego”
desenvolver tentaria
no que diz respeito a: ética
e política Filosofia.

EMPÉDOCLES

Empédocles de Agrimento
cria uma clepsidra
em metal. Descobre o ar.
E diz que: De Deus duvida.
Julgando-se o próprio Deus!
O dono da sua vida.

Afirma que tudo é:
fogo, terra, água e ar.
Que as plantas têm sexo.
A Terra, bola (sem ar).
E pelo amor e pela luta
tudo se transformará.

Que a vida rola em ciclos
históricos. E p’ra provar
que era mesmo divino,
no Etna veio a pular.
E o máximo que conseguiu
foi, assado, se finar.

OS ATOMISTAS

Falando dos atomistas,
Quatrocentos e Vinte a.C.
O mundo, aí, é formado
por particulazinhas que
unem-se, formando um todo.
Seria loucura? Engodo?
Tente descobrir você!

LEUCIPO E DEMÓCRITO

De Parmênides: a idéia
de partículas essenciais,
de Heráclito: o movimento
que não termina jamais,
herdam, e propõem: átomos
indivisíveis. E mais:

Os átomos, ao acaso,
flutuam. E tão pequeninos
que são não se pode vê-los.
Porém, do mundo, o destino,
se deve aos seus movimentos
diversos em desatino.

Suas diferentes formas
imutáveis, tinham a ver
com as transformações do mundo.
E isto tudo, até que
em Mil e Oitocentos, Dalton
traz outro modo de ver.

OS SOFISTAS(Grandes mudanças)

Enquanto que para os gregos
o interesse maior era
a unidade e a diferença,
o Universo... quem dera!
As grandes questões, agora?!
Isso era apenas quimera.

O sofista, cinicamente,
dispensa a “grande verdade”
e, com uma “bela conversa”,
busca, na realidade,
é fazer coisas pra si.
Pra sua comodidade.

E isto leva as pessoas
a escrever... discursar...
E, usando paradoxos,
grandes disputas ganhar
utilizando argumentos
deturpados sem corar.

E assim sendo, os problemas,
fatalmente, vêm a tona.
Atenas, de incutidores
de maus costumes, os toma.
Sendo o cinismo um deles.
E os sofistas vão à lona.

PROTÁGORAS

Segundo ele, o homem
era, de tudo, a medida.
E a sua praticidade
não lhe deixava saída:
conhecer a realidade
era coisa descabida.

Para ele o que importava
era mesmo a opinião
útil. Isto é ceticismo
profundo. E qualquer questão
não pode ser posta em dúvida
se é verdadeira ou não.

TRASÍMACO

Para Trasímaco, a Justiça
era a vantagem de quem
tem o poder, é mais forte.
E, desta forma, ele vem,
de uma forma grosseira,
“trocar” o mal pelo bem.

Pois este relativismo
absoluto levou
às grosseiras conclusões
a que Trasímaco chegou,
onde justifica a força
com todo o seu ardor.
...
Uma paradinha aqui.
Mas, prometo, voltarei
Noutro folheto, no qual
Com Sócrates começarei.
E verão que maravilha!
Eu o farei em setilha.
E, prometo, capricharei!!


Fim do primeiro folheto.

Um comentário:

Marcos França disse...

Parabéns pelo incentivo e divulgação da literatura de cordel. Também sou paraibano e amante incondicional dessa cultura! Sinta-se a vontade em nos visitar e contribuir com seus conhecimentos. Terei a maior satisfação em publicar em meu blog.

Abraços,